Vero, a verdade é triste: bugs e escravidão!


É verdade, o Vero traz um conceito “novo” que na verdade é antigo. Num mundo de algoritmos inteligentes que revolucionaram o ambiente da interação online, o old fashion (antiquado) se torna luxo e faz jus à expressão old but gold (antigo, mas valioso – tradução livre).

Como foi a evolução das redes sociais? O que o Vero representa para o usuário? E para as empresas? Qual o escândalo pode destruir essa rede? O que esperar para os próximos anos? Onde habitam? O que comem? Tudo isso e muito mais no Glob… tudo isso e muito mais neste artigo. Veja só!

Primórdios das redes sociais

Tudo se tornou possível com um pequeno passo dado em 1969. Não, não estou falando do icônico passo dado por Neil Armstrong na missão Apollo 11, mas sim do lançamento da tecnologia dial-up e do CompServe, que permitiram o acesso à Internet de forma comercial.

Nas décadas seguintes, vários avanços no mundo virtual foram vitais para o surgimento das redes sociais, porém é possível considerar o mais significativo quando a American Online (AOL) criou ferramentas que permitiam a criação de perfis.

Nessa ferramenta era possível descrever a si mesmo, criar comunidades e, mais tarde, trocar mensagens instantâneas – a origem dos chats e inspiração para o surgimento dos “messengers”.

Após isso, surgiram plataformas como o Classmates, que ultrapassou os 50 milhões de cadastros. Em 2002, surgem Fotolog e o Friendster (primeiro a receber o rótulo de rede social), que sabiamente acompanharam o boom de usuários que surgiram devido a popularização dos desktops nas residências de todo o mundo.

A partir daí foram surgindo novas redes: MySpace,LinkedIn, Flickr, Orkut, Facebook e por fim as plataformas mais recentes.

O que o Vero NÃO traz de novo

O que a rede social do momento tem de novo: nada.

vero interface

Cronologia > algoritmo

Na verdade, o grande diferencial do Vero não é uma inovação, mas sim algo inusitado. As redes sociais da atualidade se baseiam nos algoritmos de predileções. Seu feed de notícias do Facebook, por exemplo, mostra apenas cerca de 20% de tudo que é postado.

Essa mecânica fez com que o Facebook ganhasse todo o destaque que tem, porém muitos usuários já estão se saturando dessa “bolha de conteúdo”.

Pensando nessa saturação, o Vero tem a proposta de resgatar a origem das redes sociais com um feed cronológico. Ou seja, ao invés de organizar as notícias por relevância baseada nos gostos do usuário, a plataforma vai organizar as postagens cronologicamente. Seu feed do Vero será verdadeiramente uma linha do tempo.

Interação social > anúncios

Ainda em 2005, o Facebook iniciou os serviços de publicidade com o auxílio de Kevin Colleran, consultor em vendas, que fechou parcerias com grandes marcas. Esses anúncios trouxeram uma grande renda à plataforma e inspirou um modelo de patrocínio de publicações que vigora até hoje.

Contudo, os usuários estão se cansando. Anúncios surgindo recorrentemente no feed, durante os vídeos, nos banners laterais etc. é uma verdadeira invasão de marcas em um ambiente que hipoteticamente deveria priorizar o contato social.

Pensando nessa insatisfação, o Vero decidiu ser uma rede isenta de anúncios, tendo como fonte de renda a assinatura do aplicativo. Ainda não há notícias sobre os valores que serão cobrados; porém, a promessa de uma rede verdadeiramente social, e não uma plataforma de anúncios mesclada às interações pessoais, é tentadora.

Bugs e mais bugs

Vero rede social

Embora tenha se tornado assunto recentemente, o Vero foi lançado em 2015. Três anos é um tempo mais que suficiente para o aperfeiçoamento de um aplicativo e sem dúvida esse trabalho vem acontecendo com a plataforma, mas não é o bastante para evitar a frustração de muitos usuários.

Muitos têm reclamado de não conseguir fazer upload de imagens, outros reclamam que a ferramenta de busca no app não funciona, além da sobrecarga no servidor que é frequentemente responsável por mensagens do tipo: “tempo esgotado do servidor”.

Posso parecer severo nas críticas, afinal é “normal” esse tipo de erro, considerando a viralização inesperada da rede. Porém as críticas não param na performance da aplicação, elas se estendem a um passado obscuro da equipe por traz do app.

Escravidão, revolta e boicote

Se o dito popular “nada é perfeito” se encaixa bem em algumas situações, sem dúvida essa é uma das mais cabíveis.

A proposta até emotiva da rede ser uma plataforma “true social” com relações e interações mais verdadeiras pode até nos passar a impressão de ter um visionário filantropo por detrás, mas esse devaneio não poderia ser mais incorreto.

Ayman Hariri é o nome por trás do Vero. Um empresário de sucesso com uma fortuna líquida avaliada atualmente pela Forbes em 1.33 bilhão de dólares. Nada de surpreendente para um investidor de sucesso, porém a história dessa riqueza não merece louvor algum.

Hariri foi CEO adjunto e vice-presidente da extinta empresa de construção Saudi Oger – responsável pela maior parte da fortuna da família. Sob sua gestão, houve mais de 31 mil processos por conta da falta de pagamento de salário.

A negligência nos pagamentos por parte da empresa era tamanha que o governo da Arábia Saudita teve que intervir e conseguir comida e suprimentos para os trabalhadores.

Além disso, as condições precárias de trabalho e de vida a que os trabalhadores eram sujeitados pode se considerar como escravidão. Por esse motivo influencers digitais iniciaram um boicote ao Vero e com isso surgiu a Hashtag #deletevero.

Que futuro aguarda o Vero?

Ainda é muito incerto fazer qualquer previsão, mas podemos imaginar que os próximos passos da marca vão definir seu sucesso ou fracasso.

O app é campeão de downloads na App Store, e está entre os primeiros na Google Play. Aparentemente, isso pode significar um sucesso absoluto, porém muitos usuários estão tendo uma experiência verdadeiramente frustrante.

Juntar isso ao passado terrível de Hariri pode ser uma equação que tem como resultado único o fracasso. É possível que agora os responsáveis pela plataforma invistam mais pesado nos servidores e na correção de bugs, o que eles provavelmente nunca vão corrigir são os danos que Hariri causou a milhares de pessoas.

Com isso, o exercício de baixar o app passa também por uma reflexão moral, nesse jogo de interesses, quem vai vencer ao final? O aplicativo ou sua consciência.

Provavelmente ainda esse ano o futuro da plataforma estará mais claro e teremos a resposta: será só a mentira, ou o Vero também terá pernas curtas?

 


Ramon Soares

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